Pires no Consultório Médico

Agosto 21, 2009

Faz praticamente um mês que não escrevo por isso esta vai ser dose dupla!!!

Fui ao médico na segunda feira,  coisas da minha rinite e desta vez o meu pai foi comigo, o médico e o meu pai são velhos amigos, a minha terapia é ficar a observar os outros doentes… Existem dois tipos de doentes. O doente propriamente dito e o acompanhante do doente.
O segredo da minha terapia é chegar antes alguns minutos , á clínica e  ficar a observar os meus colegas doentes na sala de espera. A  sala era grande com vários consultório. Portanto, a sala de espera
tem sempre três coisas para observar, os ansiosos, os que estão a pensar no que vão dizer ao Dr e as enfermeiras  de um lado para o outro para dar entender que ser enfermeira é vida dura. Ninguém olha para ninguém. E  eu, como realizador, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são do Porto ou Benfica, se gostam mais  do Tony carreira ou Xutos e Pontapes
Acho que qualquer artista gosta deste jogo, que no  mínimo é criativo.

Na segunda-feira, estava:
1. Eu
2. Um preto vestido de Ganga,
3. Um senhor bem vestido
4. Uma velha gorda.
Comecei logo imediatamente a imaginar qual seria o  problema de
cada um deles. Não foi difícil, porque eu parti do  principio  que todos estavam com gripe A. Senão, não estariam ali a usar uma mascaras na cara,   e tão cabisbaixos.

O preto, por exemplo, Deve gostar de uma rapariga branca, e os pais dela não aprovam a relação e  não deve ter conseguido entrar para a servisegure mas ainda está á espera para ir trabalhar para um restaurante de caxupa no shooping da rua Cedofeita.
Notei que as sapatilhas estavam velhas. Problema de ascensão social,
com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena
dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da
namorada esquartejada lá dentro.Talvez apenas a cabeça. Podia ser um
assassino, ou  suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele. Ele dava olhadelas furtivas para dentro da mala assassina.

E o senhor de fato e gravata,  meias e sapatos  pretos. Como ele estava a sofrer, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Foi encornado, de certeza. os cornudos tem sempre tiques Já repararam? Observei as mãos. Roía as unhas.Insegurança total, tem medo de viver. drogado? Bem provável. Como era infeliz este personagem.  tirou um lenço e eu já estava á espera das lágrimas mas ele assoou o nariz violentamente, interrompeu a leitura do jornal do meu Pai. Faltava-lhe um botão na camisa. Claro, abandonado pela mulher. Devia morar num T1 pequeno e caro, será Homossexual?Acho que não. Nenhum homem beijaria outro homem com um bigode tingido como aquele.

Mas o melhor, era a doente velha gorda e baixinha. De rabo gigante. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar para cara dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbava? Não!!!  Fazia barulho com a boca, parecia estar a rezar , ou falava sozinha? Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. tinha cigarros na mão e os dedos amarelos de quem fuma 10 cigarros em 5 minutos , Tensa. Coitada. Como serão os filhos dela? Acho que os filhos já não a devem visitar  ha dezenas de domingos. Tinha cara de quem mentia aos médicos e tambem devia andar no psiquiatria. A Minha avó rezaria 3 terços e 10 ave Marias por ela, se a conhecesse. Alguém me chamou, Vou entrar, O meu Pai já me fez o sinal para entrar. Como a conversa estava animada entre o medico e o meu pai acabo por contar ao medico os meus pensamentos da sala de espera

Ele ri, …..  ri muito,  e diz:

– O Edison é o nosso Enfermeiro.

– O de fato preto é um delegado propaganda médica, passa aqui uma vez por semana.

– E a Sr Gorda é a Dona Dulce, a minha mãe.

– E  a ti vou já passar um P1 para o Conde Ferreira.

4 Respostas para “Pires no Consultório Médico”

  1. sushi said

    como o vinho do porto!!!

  2. susi said

    como o vinho do porto!! em repeat

  3. preta said

    espero que toda a imaginação quanto à vida do Edison seja pura e simplesmente porque és realizador e tens sempre que te apoiar em personagens carismáticas com uma vida bem complicada. sim, porque isto de fazer filmes da vida real compersonagens aborrecidas, sem grandes picos altos na sua vida, ninguém compra, não é? pois, imagino.

    já agora gostava de saber a cor da pele do delegado de propaganda médica e da dona dulce. presumo que não sejam pretos, mas quão “não pretos” são eles para nem teres que mensionar?

    pronto. aqui a preta ficou ofendida por te ver tão descontraídamente a fazer troça do preto, a seres tão públicamente descarado a ofereceres uma discriminação tão gratúita ao rapaz.

    eu, se fosse a ti, tinha era medo da gorda. é que ainda te podia dar uma dentada. se lhe desse a fome, tu devias parecer-lhe bem mais apetitoso que o preto criminoso ou o delegado com bigode (ainda lhe deixava pêlos entre os dentes…)

    ah! só mais uma “palmada”: há (com “h”) é um verbo!!!

    pronto. desculpa lá a minha falta de sentido de humor.

  4. preta said

    só mais uma coisa para eu ficar um bocadinho menos mal vista.

    explico a correcção ortográfica:

    “até chegar há minha varanda”
    (vem do post anterior a este da consulta)

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